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Mostrando postagens de 2021

Inteligência Artificial encontra Clarice e Fernando

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  Tomando umas com Lispector e Pessoa . Imagens de waldryano por Pixabay Na minha imaginação, encontro Clarice Lispector e Fernando Pessoa levando um papo. O lugar é bastante indefinido. Obviamente, me parece um bar, nem sofisticado, nem copo sujo, um do tipo de mesa de calçada, mas com o cuidado de não ter cadeiras de plástico. Fico olhando para os lados, na tentativa de definir se é o Céu - ambos mereceriam, certo? - mas também me parece indefinido. Afinal, a relação que ambos tinham com o Poderoso era um tanto complexa, mas também não era de negação. Quem sou eu, anos-luz dos milhares de especialistas em suas obras, para entender! Dou os ombros, humilhado. Sento-me numa mesinha ao lado, que também sei o meu lugar. E assumo aquele ouvido em pé de ficar escutando a conversa 'dosotro', que não seria da minha conta. Não me importo, ambos falam de Inteligência Artificial, assunto que nos interessa aqui.  Uma coisa boa na literatura é que nos permite sonhar. Esse terrível clichê

Multiprogramação na TV: mais uma intenção a caminho do inferno

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  Sobre granjas e demônios: superando em metáforas para explicar a multiprogramação. Imagem de Clker-Free-Vector-Images por Pixabay  A ideia da multiprogramação era fantástica. Com a TV analógica, tínhamos, quando muito, meia dúzia de emissoras de TV no sinal aberto, aquele que a gente não precisa pagar para assistir (o almoço é por conta dos anunciantes). Com a digitalização do sinal, por baixo, poderíamos ter umas vinte emissoras, dando à população uma variedade, se não tão grande, mas com opções do tipo que os assinantes de TV paga têm. Ainda com vantagens a mais: por ser eminentemente local, abrir-se-ia canais de comunicação audiovisual - de forte impacto, sabe-se - a segmentos excluídos dos meios tradicionais. Organizações comunitárias, sistema educacional, entidades culturais, eventos esportivos e artísticos locais, todos poderiam ter suas emissoras ou aparecerem em novas telas, oferecendo um conteúdo inédito ao seu público e a um público potencial. Pode-se imaginar a cobertura

Manifesto Cringe: vão plantar batatas!

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"Ai, foto de gatinho é tão cringe!" Imagem de Сергей Корчанов por Pixabay  Sei que não é comigo, é treta entre os millennials (turminha que nasceu entre 1978 a 1995) e a geração Z (entre 1996 e 2010). Pode ser um problema geracional familiar (meu filho é Z e, às vezes, gostaria de mandá-lo a PQP!). E pode também até estar já fora de moda, já que a efemeridade destes tempos é tão grande que até a palavra cringe já virou cringe. Mas como um legítima raspa de tacho dos Baby Boomers (1946-1964), não consigo me calar perante os desatinos que essa atual batalhas de (falta de) sexo dos anjos. Ainda mais que, o que se discute, repercute na minha geração, talvez a primeira a acusar as anteriores de 'cringe', na época com a muito mais simpática palavra 'cafona'. É que essa turma mal saída dos cueiros desvirtuou todo o sentido do que é um bom conflito de gerações. Assim, quando a rapaziada se arvora de desmerecer as tropas anteriores, o desejo é mandar esse pessoal ver

Desenhos animados são orgulho LGBTQIA+ há tempo, mas agora chegaram de vez

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Elxs sempre estiveram entre nós!   Sim, as crianças são mais evoluídas do que nós, adultos. O que fazemos, em parte importante, é estragar o que nossa espécie tem de bom, na tentativa de bloquear o que temos de ruim. Acho que todo mundo sabe, ou deveria saber, que não nascemos machistas, racistas ou homofóbicos. Criança sabe, instintivamente, das semelhanças que nos une, mas também a enorme diversidade que nos caracteriza. O que, inclusive, foi um importante diferencial para sairmos da série D da natureza, para o topo da cadeia alimentar. Ainda bem que temos produtores de desenhos animados que, desde sempre, e disfarçadamente, nos deram, enquanto crianças, exemplos de nossa salutar pluralidade. Sim, na ocasião de comemorarmos a luta e o orgulho LGBTQIA+, vamos lembrar que pais eram tolinhos (e ainda o são) ao pensar que suas crianças não têm percepção sensível de notar a bela diversidade que nos compõem, e que se reflete nos desenhos que veem. Não foram muitos, mas foram importantes, e

500 mil fantasmas nos assombram

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As mortes da pandemia tem seu Nero, mas não colocou fogo sozinho. Imagem de Nick Magwood por Pixabay  Tento fazer deste meu exercício literário um momento de descolamento da dura realidade que a pandemia da Covid-19 tem nos engolfado no último ano e meio. Assim, embora o mal esteja aqui e ali nas abordagens, é preciso que prestemos atenção em outras pautas importantes, nos campos da educação, comunicação, tecnologia, sob o risco de ficarmos monotemáticos e, em uma última instância cada vez mais próxima, todos pirados! Mas não há como fechar os olhos para a tragédia nacional: 500 mil mortos! S ão 1.852 barragens de Brumadinho rompidas! Ou se um tsunami simplesmente fizesse Florianópolis ser varrida do mapa! Minto, a analogia não é boa. Um tsunami não tem origem pela mão dos homens (por enquanto). Na realidade, é como se uma barragem da Vale tivesse soterrado Florianópolis. Aí sim, os responsáveis teriam nome e cargos, como têm hoje. Portanto, nem pensemos em comparativos subtropicais

Será a Segurança de Dados o novo Meio ambiente?

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  Um novo cabo submarino entre Brasil e Portugal: segurança digital é nova pauta mundial. Imagem: TV Brasil Quando eu era criança, Meio ambiente ficava lá no livro de ciências e geografia, e era dureza decorar as bacias hidrográficas, tipos de clima, categorias das nuvens, entender quais as floras e faunas de cada parte do país, fazer mapas com verdes diferentes para cada região... E jogava-se papel e toco de cigarro no chão, derrubar mata era sinal de progresso, rios poluídos e poluição eram orgulhosos diferenciais da 'roça'. Começamos a ficar mais espertos no meio do século passado e vimos que o paraíso era aqui, e que fazíamos um bom trabalho em expulsar a nós mesmos. Meio que para compensar, criamos a internet e trocamos a bela mata idílica pelos poderes do seu criador: onisciência e onipresença, a sabedoria e o estar em qualquer lugar na ponta dos dedos. E ao mordemos o fruto proibido oferecido pela sibilante e sinuosa www:~ ficamos felizes em inverter o mito primordial e

Seria a Tecnologia nosso Santo Graal?

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  Minissérie é uma das várias que querem nos mostrar as consequências da imortalidade. Crédito: divulgação  Assisti a minissérie Labyrint, produção independente e europeia dos irmãos Ridley Scott ( Blade Runner, Alien, Perdido em Marte) e Tony Scott ( Top Gun, Fome de Viver ). No cerne do enredo, está o Santo Graal. Entre várias lendas que cercam esse nome, a mais popular é a de ser o cálice onde Jesus Cristo tomou o vinho na última ceia. Esse cálice seria mágico e daria vida eterna a quem bebesse nele. Como o enredo se passa no tempo passado e presente (do início da década 2010), a mensagem, para esse escriba, é clara: estamos mais para aproxima-se de mim esse cálice do que o inverso. A imortalidade, como em períodos conturbados de nossa antiguidade, transformou-se no nosso maior propósito. Da mesma maneira que naquelas ocasiões, o avanço tecnológico parece nos dizer que 'agora vai'. Mas, qual seria o novo Santo Graal, a nova alquimia?  CRISP, mapeamento genético, órgão de

Espaço: a fronteira final

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  A busca de desafios nos impulsiona a ir além das nossas constantes crises. Imagens: Canva Essa frase era o início de cada episódio de Jornada nas Estrelas, iniciado em 1966 nas televisões norte-americanas, que consagraram o Capitão Kirk, seu primeiro em comando, Sr. Spock, e o médico da espaçonave Enterprise, Dr. McCoy. Naquela ocasião, o programa sobre viagens espaciais fazia consonância com a corrida espacial para quem chegava na lua primeiro. Quando eu penso o quanto dinheiro foi gasto, tantas vidas perdidas, tanta tensão, para uma competição do tipo 5a. série... ("quem chegar por último...!"). E é tão verdade que, quando os EUA, ao 'pegaram a bandeira' em 1969 (no caso, fincar ela lá!), perdeu-se a graça (até a primeira série de Jornada acabou naquele ano). Que pena, logo na minha vez, não ia poder passar as férias no satélite! Pois não é que estamos num déjà vu ? Só que agora as metas são Marte e também quem instala um cassino na estratosfera primeiro. Mas porq

e-Contos Icônicos #9: Bate-papo pós-tecno-saudosista

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  Tecnologia está nos nossos termos, mesmo quando já ultrapassada. Imagens: Pixabay.  O tempo passa, o tempo voa, e nem o banco que tinha esse jingle para a sua poupança ficou numa boa. Imagine com as expressões! E como somos chegados em tecnologia, adoramos colocá-la em nossa conversa fiada (ops! quando vimos pela última vez uma máquina de fiar?). Mas a tecnologia voa ainda mais rápido, e de tal maneira nos impacta que até é engraçado ver jovens falando expressões das quais não têm a mínima ideia do seu significado original. Maquinando essas tranqueiras (de novo?), expressões que ainda usamos, mas que não encontram mais sentido com as atuais tecnologias, podemos imaginar o seguinte diálogo: Os sujeitos, amigos que trabalham juntos, se encontram na lanchonete da empresa. - Massa? - Rapaz, tá antenado? - Não, estou meio fora do ar. - Foi o Júnior da repartição que badalou. - É uma matraca mesmo. - E ele está a todo vapor. - Desembucha! - Pois é, deu tilt! - Desculpe, perdi o fio da mea

20 anos de Wikipédia: a vitória da ciência colaborativa

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Imagem: en.wikipedia.org Acabei de fazer minha doação ao Wikipedia. Ora, se utilizo de um serviço, nada mais justo do que pagar por ele. Mas, ao contrário do Google e Facebook, para quem pago generosamente com meus dados mais íntimos, a cultura wiki costuma ser humilde, discreta, o que exige da gente que tenhamos a iniciativa de dar grana mesmo (embora tenha sido lembrado, corretamente, pelo site dessa minha necessidade). O mais importante a se comemorar nos 20 anos do Wikipédia é a consolidação da colaboração anônima como fonte da ciência. E a maior enciclopédia humana ainda aprendeu e amadureceu, tendo bilhões de consultas, com outros milhares de colaboradores anônimos. Do contrário, a imagem mental que me ocorre são milhões de pessoas folheando a Barsa, outros tantos especialistas renovando seus verbetes, algo totalmente impossível no mundo físico, tanto para aqueles que precisam do Conhecimento, como para aqueles que o produz. Na versão portuguesa do Wikipedia, entre os cerca d