E a TV Híbrida?



Em meio da implantação da TV Digital, muita coisa tem passado batido. Já falamos da interatividade, dos índices mínimos e esquisitos para o desligamento, como estão os outros países, a utilização do VHF, isso só no mês passado.

Hoje é a vez da TV Híbrida. Mas o que é isso? É a junção do broadcasting com o broadband. Ok, não ajudou muito. Então, simplificando, é a união, no sinal de radiodifusão, do conteúdo audiovisual com o envio de dados. E o que isso tem de importante? É que os dados não precisam passar por um cabo, satélite, internet, ou seja, vem no mesmo sinal da TV aberta. E daí? Daí que o conteúdo interativo vem sem a necessidade de aplicativos móveis e vem, daí o pulo do gato, totalmente grátis!

Na imagem acima, um exemplo já usado no Japão. O que se vê não é um video-game, mas a transmissão ao vivo de um jogo de futebol que, neste caso, tem uma extensão de segunda tela para um tablet. Mas esse tablet não está pegando os dados de uma banda larga de uma telefônica ou TV paga (cabo ou satélite), mas diretamente do sinal de transmissão que chega ao aparelho de TV. Essa interatividade pode ser aplicada a um sem número de propostas de programas.

A diferença parece sutil, mas não é. Além da grana, que é paga pelo consumidor em caso de interatividade via outras vias, o controle do que enviar é da emissora e, portanto, dentro do modelo de negócio do produto, sem depender (e precisar pagar) de outros intermediários. Obviamente isso tem impacto para quem transmite e para quem recebe.

É preciso um sistema operacional para uma TV Híbrida no Brasil, como se tem um Windows/Linux para PCs e Android/iOS para celulares. Esse sistema tem sido discutido, discretamente, pelas empresas de televisão, mas não se vê essa discussão em muitos lugares. Porque isso? Será porque é grátis? Será porque já temos um sistema operacional - o Ginga - que, se ainda não é o ideal, daria um bom pontapé para a uniformização do sistema, o que pode não atender os interesses individuais de cada emissora? O que não precisa perguntar é que não é de interesse de nenhuma telefônica e TVs pagas ou qualquer um que comercializa banda larga.

O certo é que é um desperdício não debater a TV Híbrida com mais cuidado e transparência. Ainda mais que a TV Híbrida também ajudaria a outro ponto que tem passado batido na implantação da TV Digital: o fortalecimento da TV local. Mas esse é assunto para outro post.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Há esperança!

A pesquisa da comunicação pela hora da morte: um estudo sobre os livros da Intercom 2020

TV Digital e as TVs religiosas: esculhambou geral!