Banda larga no Brasil bateu no teto? Uai, mas não estava todo mundo integrado?

Metade da população brasileira não sabe o que isso significa!

Se tem algo que sempre desconfiei foi de palestrantes dizendo o quanto o mundo está conectado, ou que falta pouco para isso. É como saneamento básico: é fácil dizer que todos têm quando a sua água chega limpinha e o esgoto sai sem mal cheiro. Quem mora nos grandes centros (como esses palestrantes), desconhece uma realidade foram de seus bairros com Internet e canos de esgoto. 

 

No mundo real, qualquer que seja a tecnologia, de internet ou abastecimento hídrico, ela irá refletir as desigualdades sociais. Em reportagem do Bruno Amaral, da Tela Viva, se vê que estamos longe dessa utopia em estarmos todos integrados pela internet. Baseando-se nos dados da pesquisa TIC  Domicílios 2015, do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br) do NIC.br e CGI.br, ao que parece batemos no teto: o crescimento de banda larga nas residências se manteve estável de 2014 a 2015, por volta de 50%.

 

Isso mesmo, 50%! Significa que metade da população não tem acesso a banda larga em seus domicílios. Metade! Então, que mundo conectado seria esse? Claro, esse número não é igual em todas as faixas, já que 99% da classe A já está conectada, e apenas 16% da classe DE tem acesso a internet, incluindo o acesso por telefone celular. Portanto, uma vez mais a tecnologia, graças às políticas públicas, criam novo fosso entre as classes sociais.

 

Digo políticas públicas, pois caberia ao estado proporcionar a ampliação e não permitir a criação dos com e sem internet por questões econômicas. Mais ou menos o que deveria fazer também no saneamento básico. O Plano Nacional de Banda Larga, que previa a ampliação incondicional do sistema pelo país, principalmente nas áreas de difícil acesso, parece ter se escoado em algum esgoto palaciano, pois não se fala mais nisso.

 

Certamente, as empresas estão ganhando esse embate. Só lhes interessa o filé, lugares onde será remunerada pelos seus serviços nas margens de lucro que lhe convêm. Uma política pública de banda larga generalizada deveria, não dar prejuízo para as empresas, mas equilibrar seu lucro com sua função social. 

 

Enquanto isso, vamos corrigindo os tais palestrantes, quando falarem algo como "está todo mundo conectado" ou "todo mundo pode participar da internet"... todo mundo do andar de cima e nos grandes centros. Porque para metade da população a internet é, como o saneamento básico, mais para promessas políticas do que um serviço à disposição da população.

 

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