TV está viva e bem, obrigado!

Cena de Os Dez Mandamentos da Record: Crédito: divulgação

Mais uma morte anunciada da TV que vai para o brejo. Como venho defendendo, ela não só está bem longe do seu fim, como parece se fortalecer a cada dia. Ligações Perigosas, da Globo, Os Dez Mandamentos, da Record e novas pesquisas só confirmam a tendência de continuidade do broadcasting, as TVs de sinal aberto.

Como sabemos, a TV aberta já morreu com o videocassete, o DVD, o Blu-Ray, a TV paga e, o mais recente carrasco, os serviços OTT (over-the-top), videos via internet de redes não gerenciadas, que tem como principal exemplo o Netflix. Encomendaram o velório, mas não entregaram o corpo.

As emissoras já estão se adaptando já há algum tempo, principalmente incorporando um conceito de televisão que vai além do aparelho. Um conceito que tem mais a ver com produção, linguagem e comportamento do que com uma caixa de circuitos.

Com Ligações Perigosas, a Globo reforça seu posicionamento internacional como produtora de conteúdo, inclusive para as plataformas internacionais de OTT. Quando revitaliza um clássico mundial, usa sua experiência para, ainda assim, fazer uma obra de época, ela apenas diz "estou no jogo de produção para essas nova época audiovisual". Além disso, a recém-lançada Globo.Play nada mais é que uma Netflix da emissora.

A Record, quando faz uma novela igualmente de época (e, paradoxalmente, atemporal), com efeitos visuais dignos das produções de Hollywood (aliás, feitos lá mesmo!), depois compacta em duas horas e faz uma campanha promocional de filme arrasta-quarteirão, também quer dizer que está entendendo a era da convergência e da internacionalização da produção audiovisual.

(A bobagem feita pela emissora, que proporcionou a hilária situação de cinemas com ingressos esgotados e salas vazias, apenas mostra uma incompetência inicial, mas não tira o mérito da produção e suas pretensões).

No entanto, o ponto de partida é sempre a TV. É a primeira tela e, sem ela, não se pode partir para a segunda. O cinema, outro que já foi encomendado várias vezes, mostra isso desde sempre. A arrecadação de uma franquia como Star Wars tem menos de 20% vinda dos ingressos. O resto vem de todos os produtos recorrentes. Mas se não estrear na sala escura, o processo não começa. No caso das produções de TV, se não funcionar na casa das pessoas (mesmo que assistindo no tablet), é melhor esquecer.

E a turma do dinheiro parece entender isso. Afinal, o que interessa mesmo é grana. Daí a importância de estudos como da Ancine, que recentemente publicou que as verbas publicitárias para a TV aberta só aumentam. mesmo em comparação com as novas mídias. E, vamos combinar, enquanto tiver gente pagando as contas, é difícil morrer mesmo.

Estudo da ANCINE: grana ainda cresce para a TV. Crédito: TV Aberta no Brasil: aspectos econômicos e estruturais, p. 27
Como me contou o amigo e colega Gabriel Priolli, o Walter Silveira da EBC tem uma ótima analogia sobre a TV. Segundo ele, "a TV é um elefante marchando para o cemitério. Mas vai derrubar muita mata até chegar lá".

Sobre alguns momentos que tenho defendido a continuidade da TV estão aqui e aqui.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Espaço: a fronteira final

Educação é Pop!

Há esperança!