Os gargalos da TV Universitária: Parte 2 - O MEC e a política "tira isso de cima de mim".

Nova logo da TV Universitária de Recife, a primeira TV educativa do país.

Ministro da Educação: "Não! Por favor, tire isso de cima de mim (risos)".


A resposta foi dada ao responder se não achava uma incongruência as TVs educativas não terem qualquer relação com o seu ministério.

O ano foi em 1999 e o ministro era o tucano Paulo Renato (1945-2011), para a revista Imprensa.

De lá para cá, mesmo assumindo um partido da então oposição, e autodenominado de esquerda, nada melhorou. As TVs educativas continuam sendo um incômodo para o MEC e mantendo longe de si esse cálice... O que confirma a mesma posição dos seus antecessores. Preferem, quando instigados, a dizer o mesmo que qualquer governo: isso é coisa do Ministério das Comunicações!

Várias universidades federais têm outorgas, inclusive a primeira TV educativa do país, a TV Universitária de Recife, de 1967. Estão abandonadas, sucateadas e desprezadas. As que tentam abrir novos canais, nenhum apoio têm. Não há uma política interna para elas.

Natural, afinal, continua a política tucano-petista "tire isso de cima de mim".

Abandonar suas próprias emissoras seria mais ou menos como abandonar os hospitais universitários e dizer  "tira isso de cima de mim", manda lá para o Ministério da Saúde!

Mas, como tudo pode piorar, o novo MEC (independente do ministro de plantão) ainda polarizou ideologicamente as TVs universitárias. Aliás, o mais correto não seria dizer ideologicamente (tal fraca a argumentação teórica), mas preconceituosamente.

O MEC se rendeu, há tempos, ao lobby "ideológico" da Andifes (a associação das instituições federais) e coloca as TVs de universidades públicas do lado do bem e as ligadas às iniciativas privadas como do mal.

As consequências são nefastas, pois nem as emissoras das universidades públicas têm fôlego, orçamento e estrutura para produção seriada que compete à uma TV, nem as privadas conseguem se alavancar e sair de seus guetos sem o apoio de uma política estatal de comunicação abrangente. Portanto, é óbvio que só com a união deste segmento faria com que houvesse um crescimento do setor como um todo, e onde todas as emissoras sairiam ganhando.

E ganhando também o telespectador brasileiro com a oferta de um sistema de comunicação pública como sonhado nos Fóruns de TVs Públicas.

Mas, esquece! Já era esse tal sistema de comunicação pública! Ao contrário, das expectativas de um fortalecimento das TVs do campo público, compromisso assumido pelos novos governantes em detrimento à "comercialização da comunicação eletrônica do governos neoliberal", veio a decepção no desprezo pela temática, explicitadas pelas questões como dos 700 megahetz doados para as telefônicas, pela morte anunciada do operador de rede público, pela desidratação do orçamento da EBC, pelo pouco empenho na questão dos recursos do Fistel... bem, a lista é longa.

Especificamente quanto ao MEC, essa divisão entre os do bem (as TVs das federais) e os do mal (todas as demais) impacta diretamente, entre outras consequências, nos editais de produção de conteúdo, independente do custo/benefício. Mas também bate na questão do canal nacional de TVs Universitárias, previsto na lei de acesso condicionado. Mas isso é para a postagem de 25 de novembro.

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