Asimov, Egípcios e a Humanidade!

Ah, os Egípcios!! A civilização que é a cara da Humanidade! Mas também é uma daquelas temáticas que todos acreditam conhecer, mas que pouco se sabe. Eu era um desses, mas sempre desconfiado de que nada sabia, de fato. Daí, ganhei um presente duplo: um livro do tipo 'os Egípcios para quem tem pressa', escrito por ninguém menos do que Isaac Asimov, um dos maiores escritores de ficção científica da história. E, claro, meu ídolo!

Eis a primeira surpresa: não sabia o excelente historiador que Asimov era. Claro, faz todo sentido, então, ser um gênio da sci-fi. A ficção-científica 'raiz' é justamente o exercício de nossas mais cruéis e virtuosas idiossincrasias humanas, certificando que elas independem do tempo em que elas se manifestam. Somos virtuosos, cruéis, criativos, estúpidos, tecnólogos, místicos, autossuficientes e carentes (entre outras, naturalmente), não importa se no Séc. XX A/C ou D/C. A ficção científica é só um jeito de nos esfregar isso na cara, de forma um tanto indolor, divertido e um tanto subliminar para os desavisados.

Sim, sci-fi é ainda mais do que isso, mas estou aqui para falar dos Egípcios e não de ficção científica. Se bem que uma das características marcantes dos Egípcios/Humanidade é justamente esse tesão por tecnologia aplicada tanto para o essencial - foram fundamentais no desenvolvimento da ainda incipiente agricultura, só um dos exemplos - tanto para o supérfluo - estão aí pirâmides para enterrar um sujeito!

Com milênios de dinastias que se seguiam, talvez a civilização que mais perdurou na nossa história conhecida, deu também para entender o quanto gostamos de uma montanha-russa, uma vida emocionante de altos e baixos. Atenção, que não se venha com a história de que tudo é cíclico, porque cíclico supõe voltar para o mesmo lugar, retroceder, e, embora os tempos atuais estejam nos dando essa impressão, não é assim que caminha a Humanidade. Em compensação, o que a gente tropeça e levanta não é brincadeira! E, geralmente, nas mesmas pedras, que, nossa própria estupidez e soberba, recolocamos no caminho. Mas, também não parei de pensar que a nossa vida particular também é um microcosmo com as mesmas características. Átomo e galáxias funcionam sobre as mesmas leis.

Os Egípcios gostavam de aprender e não foram refratários a quem podia ensinar. Alexandria, embora quase fosse um enclave no Egito, foi o melhor exemplo de absorção e difusão de conhecimento. Asimov, inclusive, a compara com cidades como Nova York e Londres, muito mais cosmopolitas do que locais, embora não houvesse como negar sua origem e quem a mantinha. Claro, não foi pacífico o tempo todo, já que temos mesmo essa relação de amor e ódio com o conhecimento, mas quem somos nós, negacionistas de vacinas e do aquecimento global, para criticar alguém?

Enfim, uma delícia de leitura a republicação de Os Egípcios - As Origens, o Apogeu e o Destino de uma Civilização, lançado pelo selo Minotauro da editora Planeta. Ao que parece é o primeiro volume da Coleção História Universal Isaac Asimov, que ainda vai rolar sobre os povos grego e romano, talvez em 2022. É para quem gosta de história e para quem tenta entender essa espécie esquizofrênica, que cria tecnologias que se mantém quase que a mesma a milhares de anos, mas queima seu conhecimento construído alguns anos atrás só de picuinha.

Mas é também para quem gosta de literatura e ciência, como Asimov, que, inclusive, faz questão de contrapor as versões de maldições místicas e alienígenas que envolvem lendas egípcias, deixando bem claro o que é científico e o que é ficção. Um mestre que sabe a hora de tudo!

Cláudio Magalhães é jornalista, doutor em educação, não é historiador, mas é um escritor, e te aguarda para continuar conversas assim no livro Fo#@-$3, Pandemia! Crônicas sobre o que aprendemos com a fdp da Covid-19, pela Chiado Books, em todas as livrarias ou direto com o autor (com brinde).

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