Imagem de Amber Avalona por Pixabay Todo mundo (des)conhecia aquele senhor. Sentado na mesa do canto. Tomando uma Brahma. Bem, todo mundo é um exagero da minha parte, imagino. A moça que lhe servia a Brahma todos os dias devia conhecer. Devem se dizer 'bom dia' todo dia. Ele não me parece um sujeito carrancudo, mal-humorado, do tipo que resmunga. Acho que se eu, ou qualquer um, chegasse, dissesse 'bom dia', se sentasse e puxasse conversa 'e esse coronavirus, hein?, acho que ele responderia educadamente, acho que até daria sua opinião sincera. Aliás, qual seria? Tudo isso em pensava ali, na fila. Olhando para aquele senhor que parecia invisível até para ele mesmo. Fiquei pensando - a fila estava demorando, fazer o quê? - se alguém já havia chamado a sua atenção, 'senhor, nessa pandemia não pode ficar bebendo cerveja assim, impunemente'. Mas deve ser uma combinação com o dono do buteco. Cliente antigo, 'ele vem sempre aqui, toma sua Brahma, e depoi...