Os Mitos desconhecidos da Morte

Uma mulher casada tem seis vezes mais chance de ser abandonada pelo marido após um diagnóstico de câncer do que um homem na mesma situação. O dado, levantado por pesquisadores das universidades de Stanford e Utah em parceria com o Seattle Cancer Care Alliance, mostra que a taxa de separação entre casais em que a mulher é a paciente chega a 21%, contra apenas 3% quando é o homem o diagnosticado. No Brasil não é diferente: de acordo com a Sociedade Brasileira de Cancerologia, em algumas regiões, como Norte e Nordeste, 40% das mulheres são abandonadas pelo companheiro entre o início da doença e o fim do tratamento, não raro perdendo, junto com o casamento, o acesso ao plano de saúde do marido.
O livro nasce de uma experiência pessoal: os quase vinte anos em que o jornalista Cláudio Magalhães acompanhou o tratamento da esposa, a educadora Dânia de Paula, contra o câncer de mama, do diagnóstico até seu falecimento, há quatro anos. Foi em uma consulta médica, ao ouvir de um oncologista que era raro ver maridos tão presentes quanto ele, que o autor decidiu investigar por que tantos homens partem justamente quando a doença exige mais cuidado, e o que fez de sua própria trajetória uma exceção.
A obra também traz curiosidades sobre o que cerca a morte e o luto, como mitos, rituais, histórias, mas também sobre gratidão e dicas de cuidados para quem passa por esses momentos, assim como o que fazem tratamentos ou acompanham. Há indicações de leituras das mais diversas, de livros científicos, de autoajuda a HQs, um mundo nerd que o autor muito aprecia e que também aparece nas epígrafes que remetem à cultura pop. E uma playlist, disponível no Spotify, para acompanhar a leitura de cada capítulo. Como Cláudio escreve, “o luto deve ser enfrentado sozinho, mas não sem companhia”.

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