Facebook virou o Jornal Nacional?


Geração Y usa Facebook para ter notícias, mas Geração Z diz que é coisa de velho. Crédito: Pixabay CC0 Public Domain
Que o Facebook já não era tudo isso para os jovens já sabemos desde 2013, quando várias pesquisas apontaram o abandono do site em direção a mídias sociais mais exclusivas. Atenção, não é que o Face perdeu importância e vai quebrar! Apenas mudou seu contexto de função para os jovens. Deixou de ser o lugar de socialização para se transformar em "jornal". Para quase 50% dos norte-americanos jovens, é onde consome a maior parte das notícias sobre política; para mais de 60% é a fonte primária sobre as temáticas sociais; mais de 40% para reportagens internacionais. 

Não há porque dizer que os jovens brasileiros sejam muito diferentes, e que tal concentração não tenha implicações assustadoras. Sabemos sobre os filtros que o site impõe para que as notícias cheguem ao usuário. É uma mistura do encontro do isolamento digital e a velha manipulação das notícias, embora o primeiro seja um fenômeno recente, enquanto o outro faz parte da história da humanidade.

Tal concentração e monopólio era o sonho dos donos das emissoras de radiodifusão, mas mesmo em seus tempos áureos, um Jornal Nacional poderia até ter muita influência, mas não com tamanha exclusividade, com um público tão formador de opinião como os jovens internautas, e nem tão movido pela ganância comercial e o desejo de conseguir os valiosos dados de sua audiência.

O Jornal Nacional parece coisa de velho, não? Mesmo com todas as suas mudanças, apresentadores engraçadinhos, maratona de gente andando de lá para cá, ainda é o velho modelo de mais de 50 anos, das "cabeças-falantes" servindo de trampolim para reportagens também com o mesmo modelo de texto-em-off/imagens/sonora/passagem-do-repórter. Então, nada melhor do que reformatar o modelo, nesses novos tempos.Mas isso acontece a partir de uma diversidade disfarçada: como recebo notícias de várias fontes, tenho a impressão que eu mesmo monto o meu 'Jornal Nacional'. Daí, para quê procurar em outros lugares?

Claro, sabemos que é um ledo engano, já que o que nos chega pelos sites das redes sociais é tudo aquilo que mais combina com a gente, com os nossos comportamentos anteriores. Ou seja, possibilidade de receber algo diferente do que já penso, é difícil. Até entendo a lógica e não nego que ela tem sua utilidade, perante a quantidade avassaladora de lixo na internet. Que bom que alguém já seleciona para mim.

O problema é o de sempre: a falta de orientações, por parte de todo mundo (pais, educadores, Estado, amigos...) de que precisamos ter diversidade de fontes, ter a mente um pouco aberta para opiniões divergentes, valorização do conceito de diálogo, da tolerância e a tranquilidade de discordar, sem ter que apedrejar ou ser apedrejado. Fico imagino que tudo isso tinha que ter uma campanha do tipo como foi contra o tabagismo, meio a sociedade em peso, todos os seus agentes, tomarem uma só consciência e falar, fazer, legislar, até mudar o registro. Note-se, não há problema em fumar, mas é importante que se faça com a ciência e a sapiência e que seja uma decisão própria, e não por inércia social.

Mas nem tudo está perdido. Li recentemente que a Geração Z, essa turma que ainda não completou a maioridade, acha Facebook coisa de velho, que nem o Jornal Nacional. No entanto, me preocupa duas coisas: primeiro, o que virá para servir de fonte de notícias referenciais para esse pessoal? Segundo, porque, mesmo procurando muito, a tal notícia sumiu e não acho mais no Google?

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