Postagens

O cientista envergonhado

Imagem
CC0 Public Domain Meu filho de 8 anos quis saber minha opinião sobre o que ele deveria ser quando crescer: cientista ou cantor? A sua anterior primeira opção, jogador de futebol, está em baixa, não sei exatamente o porquê, mas também não quis perguntar. Afinal, a dúvida era dele. Eu disse que preferia cientista (que me perdoem os cantores), mas o que me encafifou foi da onde ele tinha tirado a opção cientista, até então longe de suas pretensões. Teria a escola incutido nele esse desejo? A escola estaria despertando a busca pelo conhecimento? Não, sua resposta foi mais simples:  "Uai, de você. Você não é um cientista? Não vive fazendo pesquisa?" Pois é, não é que me descobri um cientista envergonhado? Sim, porque não é exatamente como preencho aquela parte de profissão nos cadastros de hotel e menos ainda em outros documentos oficiais. Mas, porque isso? Não deveria ficar orgulhoso de ser um cientista? Pois bem, certamente a culpa é minha por isso acontecer e, como d...

Seria a publicidade educativa?

Imagem
Desde que me entendo como gente que estuda comunicação e educação, um senso comum é o quanto a publicidade é prejudicial à educação. Ela deseduca, introduz e é a principal força motriz do consumismo nas crianças. Quanto aos adultos, nada acrescenta na formação do conhecimento, ao contrário, contamina e desvirtua. Poucos pesquisadores têm a coragem de enfrentar esse jargão tão confortável, inimigo da boa relação da comunicação e educação, mesmo porque é um bom vilão, um alvo fácil e que não reage. Pois bem, um outro jovem resolveu que ele iria dar sua contribuição para não deixar essa questão tão simples assim. Wanderson Cláudio da Silva é um jovem publicitário que, incomodado por falarem tão mal assim da publicidade na sua frente, e usando como argumento outra de suas paixões, a educação, partiu para cima e resolveu fazer um documentário com a seguinte premissa: perguntemos aos publicitários e pedagogos se, afinal, a publicidade tem uma (má) função pedagógica. Vamos ver o confront...

Própolis - Projeto Polímeros para Inclusão Social

Imagem
  Olhaí um projeto muito bacana, que estou envolvido já há algum tempo. É o Própolis - Projeto Polímeros para Inclusão Social. Mas deixo para o video explicar melhor, pois está mais divertido. Mas agora ele precisa ser visualizado e 'curtido'. Por favor, vejam o video e curtam lá no YouTube, pois os melhores projetos irão participar da Mostra Inova Minas da Fapemig. E tem um carinha muito especial apresentando...

Paga Brasil mostra quanto somos "despreparados"

Imagem
Nossos futuros advogados levam, mas não pagam: dá para explicar muita coisa. Crédito: Divulgação Paga Brasil   Um dos jargões mais clássicos da educação me parece mais atual do que nunca: se aprende fazendo. Outro, que vem junto com esse, é: se aprende vendo. Numa sociedade de informação, onde o conhecimento estabelecido é de fácil acesso, mas também tão vasto, variável, sem orientação e, portanto, mais confuso do que esclarecedor, voltar às origens da educação enquanto prática social nos parece cada vez mais a solução das angústias educacionais. Ainda bem que algumas escolas estão atentas a isso, principalmente quando a temática são assuntos difusos como cidadania, honestidade, respeito e... dinheiro. É o bom exemplo do Projeto Paga Brasil . Será que você passaria pelo teste que essa turma propõe? "Se você se deparasse com um freezer cheio de picolés e no lugar de um caixa ou um fiscal, apenas uma urna para depositar o valor do produto, você pegaria o picolé sem pagar ou ...

Softwares educativos nem sempre o são: quando a tecnologia só reproduz o passado

Imagem
Tecnologia não é sinônimo de inovação: em dez softwares educativos em química, só um quer ser diferente. Existe um grande equívoco quando as instituições educativas pensam que basta colocar eletrônica em seus procedimentos que elas, finalmente, ficam modernas e sintonizadas com as novas tecnologias. Vários estudos - senão a pura percepção nas salas de aula e laboratórios - mostram que uma boa parte dos tais avanços tecnológicos só reproduz as velhas práticas. Um desses estudos investigou dez softwares que propõem modernizar o estudo da química. E conclui que somente um é efetivamente inovador. O resto, mesmo com seus gráficos bonitinhos, nada mais é do que a reprodução do que se vê na fórmula 'professor tem o saber e os alunos decorem para a prova'. O estudo é a dissertação de Ríveres Reis de Almeida, professor de química no ensino médio em Belo Horizonte, intitulada  Uso de softwares no ensino de química: potencialidades pedagógicas em busca de um ensino inovador . Rív...

Somos todos gênios: pena que isso é uma má notícia.

Imagem
Albert Einstein (1879-1955): gênio para Humanidade, um retardado para a sua escola. Crédito: CC0 Domain Estou lendo um livro que cita o historiador da arte, Bernard Berenson (1865-1959), que conceituou a genialidade como "a capacidade de reação produtiva à própria educação". O autor de A dinâmica da criação: o que faz as pessoas serem mais originais , o psiquiatra Anthony Storr (1920-2001), sabe que não se pode aplicar a definição para todos os gênios, mas certamente dá para explicar uma parte deles. O gênio não acreditaria no que lhe foi ensinado, por ser insuficiente, irrelevante ou só falso. E, de uma forma que pode ser considerada agressiva pelo seu entorno, quer mostrar a 'verdade'. Em uma sociedade de informação estressada, onde as 'verdades', as pessoas e as instituições são  frequentemente consideradas como insuficientes, irrelevantes ou simplesmente falsas, estamos todos sendo gênios? O mundo comporta tantos? E teremos todos o destino tradicional...