Onde estão os homens no Outubro Rosa?
Você já reparou que as campanhas do outubro rosa são ... “Mulher, faça seu autocuidado” enquanto do novembro azul é “homens, procurem ajuda”. Isso diz muito, não é?
Então, estou vindo aqui pra a gente pensar por que os homens estão fora do outubro rosa, de prevenção ao câncer de mama e outras doenças femininas. Não é de nosso interesse a saúde das nossas companheiras, mães, irmãs, amigas? Mas também não é para ficar criando sentimento de culpa, não, hein? – embora mereça! É para a gente entender e agir.
Fiz uma rápida pesquisa na internet. As campanhas do outubro rosa, em geral, a gente vai encontrar uma figura feminina, na maioria das vezes, sozinha. Já no novembro azul, os homens sequer tem coragem de aparecer, são apenas elementos gráficos e aquele ridículo bigode do século dezenove!
Ah, aparece também as piadinhas típicas da ocasião, como da prefeitura de Maceio, com essa setinha sutil indicando a direção do exame do toque.
Na real, sou daqueles que acredito que se a campanha deu certo, tá valendo. Se o humor levou o homem para se cuidar, que seja. A questão aqui está mais pra a gente ver que persiste a ideia de que a mulher é que deve se cuidar, de preferência, sozinha. E que a figura de um homem, companheiro, filho, pai, amigo não é prevista. Quanto ao homem, cabe, uma vez mais, alguém ajudar a se ajudar.
Bem, o que vou dizer aqui não vai surpreender ninguém. Na literatura da saúde, existe um termo: healthcare work — algo como trabalho de cuidado em saúde: tudo aquilo que uma pessoa faz para que o parceiro procure, consiga e mantenha cuidados médicos. E as pesquisas só reforçam aquilo que você já sabe: quem cuida disso na família é a mulher. Ela que se preocupa em agendar consultas, marcar exames, levar resultados, comprar e administrar remédios, e muito mais.
Então, nada mais esperado que elas “que se virem para cuidar de si mesmas” e ainda tem que cuidar para que os homens de sua vida também o façam. Veja que é preciso questionar esse costume, deixar claro que isso não é natural e aceitável. O cuidado em saúde da família deve ser feito por todos. Mas se até as campanhas reproduzem esse desequilíbrio?
Então é a gente olhar pros nossos lados e ver o que nós podemos fazer. Se mulher, chamando, ou até convocando os homens a participar desse planejamento. Se homem, ver o que está devendo. Saber o período que deve fazer a revisão periódica do carro você sabe, né, mas as consultas rotineiras de sua companheira, da sua mãe, suas filhas, você ignora. Claro, não é pra ficar enchendo o saco, elas sabem se cuidar, mas para oferecer apoio, estar presente em consultas, levar e buscar em exames, ir à farmácia, fazer a planilha de medicamentos, aquilo que você se orgulha de fazer com o seu excell para outros fins.
E quanto a sua saúde, ajudar a não sobrecarregar a pessoa ainda mais. Faça seus exames periódicos – e saiba que não fazer é um motivo de estresse para elas, que se preocupam com a gente! E dividam suas preocupações, suas vitórias, seu planejamento da saúde da família.
Ah, e bem que a imprensa, as secretarias de saúde, as ongs deveriam fazer a pergunta: afinal, qual o papel do homem no outubro rosa? Deixar os homens fora dessa conversa é confortável para nós, e perpetua a solidão das mulheres.
E você, o que acha disso? Deixa seu comentário e segue meu perfil e do Instituto Dânia de Paula, pois nesse mês estamos colocando conteúdo sobre a presença do homem no outubro rosa. Eu sou Cláudio Magalhães, jornalista e pesquisador e lancei o livro Quando os homens não abandonam na doença: o que aprendi sobre o amor, câncer, sexismo e solidão, pela editora vestígio. Converso lá sobre isso e muito mais. Está em todas as livrarias on e offline. Um abraço.
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