Dica Cultural: Hannah Arendt
Obrigatório para educadores e educandos. Como todos já somos ou fomos, é pra todo mundo!! Hannah Arendt é mais lembrada por nos lembrar o quanto somos chegados na Banalização do Mal, quando na sua atuação e análise sobre os julgamentos dos nazistas em Israel. Mas poucos lembram que foi uma das mais importantes referências para a Educação, com seu olhar humano para os estudantes e crítico para as escolas.
Mas falemos antes do espetáculo. Confesso que tenho dois tristes preconceitos sobre monólogos e homens interpretando mulheres. Monólogos costumam ser textos presunçosos, verborrágicos, meio que para a platéia não entender uma boa parte e o artista posar de intelectual sofisticado. Homens costumam caricaturizar o comportamento das mulheres ainda no estilo das comédias de televisão do Séc. XX.
Que beleza que até nisso a Arendt de Eduardo Wotzik me deu a real e me colocou no meu devido lugar - como faria a original. Primeiro que Eduardo nos faz ver Arendt pelos delicados detalhes cenográficos (até a fumaça do cigarro é sutil) e sua postura corporal. Não se vê o clássico homem vestido de mulher. Mas um ator masculino interpretando uma personagem histórica. Segundo, que o texto é uma delícia na compreensão, no ritmo, no vocabulário. Não se perde uma palavra! E mesmo atualizado com questões contemporâneas - sim, a Banalidade do Mal está em um crime como de Brumadinho - tem grande respeito pelos pensamentos da filósofa. E não foge ao seu próprio tempo, como no resgate ao julgamento do nazista e de uma linda homenagem ao seu amigo Walter Benjamin.
Meu filho de 18 anos saiu do teatro dizendo que "ela não devia ter tido muitos amigos". De fato, mal ele sabe que foi atacada pelos extremos dos espectros politiqueiros. Mas a contribuição dela para a Educação está lá, ombreada com a mesma importância (ou mais?) que sua filosofia. Assim, podemos (re) aprender sobre o que é Educação e, quem sabe assim, contrapormos com a continuidade da Banalização do Mal. Se ela tinha esperança - e Eduardo mostra isso - quem sou eu para não ter!
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