Você está na rede social por que quer ou por se sentir obrigado?

Mídias sociais viraram uma obrigação? Crédito: Pixabay CC0 Public Domain
Nunca tinha pensado nessa pergunta. Mas se ela não estava no nível racional, lembro-me que parte dela já havia sido respondida no nível emocional. Sim, boa parte da minha própria presença nos sites das redes sociais deve-se a inércia social, a obrigação de não ficar de fora, o medo de perder os novos contatos e os antigos redescobertos. Mas pensei que eu pudesse ser uma exceção, sabe, coisa-de-gente-mais-velha-resistente-a-essas-coisas-de-jovem! Mas uma pesquisa diz que muito mais gente pensa, quer dizer, sente como eu.

A pesquisa foi feita por uma empresa que vende softwares e descobri em uma reportagem do jornal O Tempo. De acordo com a investigação, mais de 70% de usuários das mídias sociais tem vontade de abandonar os sites de redes sociais, por sentirem que estão perdendo tempo. Mas temem perder o contato com os amigos e seu passado digital. Ou seja, as mídias sociais viraram uma espécie de agenda eletrônica e um álbum de fotografia - ou sua própria memória digital - na nuvem.

E as pessoas não querem sair justamente com medo de perder a tal agenda e a tal memória. Usando meu próprio exemplo, é inegável o quanto fico feliz ao lembrar de antigas amizades restabelecidas graças ao Face. Voltamos a nos falar e nos encontrar, rostos de gente querida que eu não via há décadas. Além disso, minhas parcas linhas são lidas por um monte de gente boa que, sem as mídias sociais, seriam prosa esquecida em algum canto. Ou, pior, eu nem sequer escreveria, por saber que seria dificil alguém ler.

Agenda, memória digital, álbum de fotografia acessível, audiência e plateia. É claro que não queremos perder isso. Ao contrário, queremos é mais! O problema, no entanto, é um certo desgaste para manter. Particularmente, me sinto mal por não curtir ainda mais os amigos que me curtem, além de achar que não sou mais curtido, porque, afinal, eu também não saio por aí curtindo por curtir. Ufa! Então é melhor eu sair por aí vendo e curtindo, mesmo sem vontade.... Tem também que manter, ir colocando coisas nem sempre relevante para não perder o fluxo da rede... Particularmente, não coloco coisas pessoais, mas acho legal ver algumas coisas dos meus amigos. Então, eu não deveria? Mas... Argh! Que coisa complicada!

Portanto, consigo entender esse desconforto da turma que respondeu a pesquisa. Mas também acredito que não é só uma questão de querer ou se sentir pressionado a ter. O ser humano é mesmo complicado e, muitas vezes, querer, gostar, não gostar, não querer, e ainda assim, fazer, ter prazer e desprezar estão numa massa mental indecifrável.

Ou seja, me parece que as mídias sociais entrarão no rol dos nossos paradoxos, aqueles que nos colocam (des)confortáveis entre necessidades e desejos; de queremos ser iguais e diferentes ao mesmo tempo; de querer a ética, mas desde que não atrapalhe meu objetivo de chegar rápido; de queremos ser amados pelo o que somos, mas nunca estarmos satisfeitos consigo mesmo.

Mais uma vez, comprova-se que as mídias sociais - como qualquer outra tecnologia - não é nada de novo, apenas a manifestação digital de nossas próprias contradições, de nossas ambivalências e nossos desejos. Sem problema, pois isso é que nos fez humanos. E, como tal, é bom, como mostra a pesquisa, ver que não estamos, uma vez mais, sozinhos.

E você, porque está nas redes sociais? Vai pedir para sair?

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