Europeus estão vendo mais TV

Como já defendi antes, em texto na Intercom, é uma bela conversa fiada essa história de que a TV vai acabar. Desconfiava da teoria da conspiração que as telefônicas estão atrás desse papo, em busca das valiosas frequências. Notícias do velho mundo confirmam, como na reportagem do Helton Posseti, da Tela Viva News.

Para preservar espectro, radiodifusão alerta que tempo em frente à TV na Europa cresce

Por Helton Posseti - Tela Viva News - quarta-feira, 22 de outubro de 2014, 17h31

Quando se fala em atribuição de novas faixas de frequência para a banda larga móvel, a exemplo da discussão sobre a nova onda de dividendo digital, logo o setor de radiodifusão se apressa em tentar frear o avanço das teles para o seu espectro.

Durante o Congresso SET Centro-Oeste que aconteceu nesta quarta, 22, em Brasília o diretor de planejamento e uso de espectro da Abert, Paulo Ricardo Balduíno, mencionou que, ao contrário do que possa parecer, o crescimento das novas mídias tem estimulado também o crescimento da TV tradicional na Europa.

De acordo com uma pesquisa realizada pela Informa Telecom & Media, o tempo gasto na frente da televisão cresceu nos cinco maiores países europeus, com exceção do Reino Unido, onde o número permanece estável. Na Itália, por exemplo, que apresenta o maior tempo que as pessoas passam assistindo à TV, esse número passou de 238 minutos em 2009 para 253 em 2012.

"Existe um quadro de análise se delineando contrário às previsões catastróficas de que a TV aberta estaria com os dias contados", afirma Balduíno. "Até 2012, a Ofcom (agência reguladora britânica) estava com uma postura mais crítica sobre o futuro da TV aberta, mas o resultado dessa pesquisa mostrou a ela o contrário. Até 2030 ela decidiu que não mexe na quantidade de espectro da radiodifusão. Isso está sendo discutido também no âmbito da Comissão Europeia", completa ele.

A preocupação do setor com o risco de perder mais faixa para a banda larga móvel também esteve presente na apresentação do engenheiro da Abratel, André Felipe Trindade. E, neste caso, os problemas são mais imediatos.

Durante a consulta pública do novo Regulamento de Uso de Espectro (RUE) surgiram diversas contribuições com propostas mais ousadas para o uso compartilhado do espectro que demandarão estudos minuciosos, de acordo com a radiodifusão.

Além disso, resurgiu a discussão de utilização dos white spaces. O termo se referia na TV analógica ao canal vago entre um canal de programação e outro, necessário para garantir que não houvesse interferência. No digital, como esse espaço não é mais necessário, o que se chama de white spaces agora são os espaços livres no espectro da radiodifusão. "Esses espaços vazios não são um latifúndio sem utilidade nenhuma. A Globo, por exemplo, testou o 4K durante a Copa do Mundo", afirma Trindade.

Outro alerta da radiodifusão é que o setor estaria ficando sem espectro para os serviços auxiliares (SARC), usado, por exemplo, para a transmissão de eventos ao vivo. Hoje esse serviço utiliza a faixa de 2,4 GHz em caráter primário, mas a forte utilização dessa faixa pelos equipamentos de Wi-Fi tem inviabilizado o seu uso, segundo Trindade. "Praticamente essa faixa de 2,4 GHz, nós perdemos. Deve haver uma proteção dos serviços da radiodifusão que ocupam as faixas primariamente. São situações que o RUE deve prever", argumenta ele.

Reunião
Essas novas alternativas de uso de espectro foram discutidas em uma reunião na Anatel entre os diversos setores envolvidos. "Todo mundo que fez contribuição, a gente decidiu sentar com eles para conversar", explica o superintendente de Outorgas e Recursos à Prestação, Marconi Maya. A tendência, contudo, é de que o RUE seja pouco ousado em tratar dessas novas abordagens. "Pelo que eu vi das discussões, a gente vai até onde é possível ir porque se tiver uma mudança gigantesca vou ter que lançar uma nova consulta pública", afirma o superintendente.

Para a radiodifusão, a notícia de que o novo RUE não irá abordar esses novos temas reflete o fato de que esses assuntos ainda estão em discussão em nível mundial. "No mundo isso não está maduro. Na UIT, praticamente, não há nada conclusivo em relação a essas novas abordagens. Estudos e análises dentro de um processo bem estruturado, e voltado para a realidade brasileira são necessários e houve convergência nesse sentido", afirma Paulo Balduíno da Abert.

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