As gerações e o seu trato com a tecnologia


Esse é um video que vale muito a pena assistir. Pode-se vê-lo pelo aspecto acadêmico, tentando entender, afinal, que gerações malucas são essas que tentam conviver. Mas também pelo aspecto emocional, quase como ler horóscopo e se ver falando algo como "uau, não é que eu sou assim também?" O importante é ver o caminhar das gerações e seu comportamento. Para nós, aqui, interessa é saber como elas se relacionaram/relacionam com a tecnologia.

O video foi produzido pela Box 1824, uma agência de pesquisa de comportamento de consumo, que se propõe a utilizar métodos heterodoxos. O video bombou na internet e já teve mais de 500 mil visualizações, e conta a história de três gerações: os  Baby Boomers (turma no auge dos anos 1960 e 1970), a Geração X (galera que mandou nos anos seguintes até o Séc. XXI) e os Millenials (os atuais jovens adultos). A produção é importante não só para entendermos os contextos de cada geração, mas acho que pode ajudar a que cada uma delas perdoe a outra, de alguma maneira....

A geração Baby Boomers tinha uma relação com a tecnologia baseada no temor. Eram os tempos da energia atômica, robôs malignos roubadores de empregos. Tal medo era estendido a qualquer coisa inovadora e ligada na tomada. Haja vista o terror em encarar uma máquina de escrever, a ponto de haver cursos especializados, que apenas traduzem algo como "só encare se devidamente treinado". Particularmente, acho muito engraçado uma criança hoje já escrever no teclado antes mesmo de aprender letra cursiva. Não é que ele nasça sabendo, apenas não tem medo de tentar e vai aprendendo fazendo...

Para a Geração X, a tecnologia virou um instrumento de poder. Se domino, tanto enquanto posse quanto em saber como usar, significa um lugar na elite. Carros ostentosamente modernos, celulares gigantescos, lugar nobre para os computadores de mesa, acesso a softwares que podem te deixar rico (acho que o Excel já teve esses dias de glória). Em casa, já não bastava ter o tripé fogão, geladeira, TV, mas aparentar ter tecnologia de ponta espalhada pela residência, aparelhos 'tec' que diferenciava do comum dos mortais.

Já a atual geração, os Millenials, veem a tecnologia como amiga, senão como parte inerente de si mesma, extensão quase orgânica, se transformando em ciborgues sem qualquer pudor, ou mesmo temor de antecipar alguma ficção-científica apocalíptica. Embora ainda haja um resquício de ostentação e exibição de poder da geração anterior, está cada vez mais diluída na quantidade de aparatos tecnológicos em que estão envolvidos. A tecnologia agora não é algo a ser temido ou idolatrado, mas incorporado e... esquecido.

É uma espécie de tecnologia social que, para alguns, é quando a tecnologia sai da cabeça dos teóricos, avança pelos laboratórios, é testado em ambientes restritos, ampliados sucessivamente até que a consumamos sem nem nos lembrar que encantamento ela foi um dia. Dois exemplos: luz elétrica e soro caseiro. Bato a mão no interruptor e faz-se a luz. Combino água e açúcar e diminui-se a morte por diarreia. Nossos antepassados ficaram estupefatos e, alguns casos, uma fogueira não estaria descartada. 

Pois as Tecnologias de Comunicação e e Informação (TIC), para os atuais jovens adultos, parecem que cortam caminho e, lançados, pulam a fase do encantamento (ou ela é muito rápida) para serem absorvidas nessa nova concepção de juventude ciborgue. E isso é mal? Não sei, mas tenho uma certa inveja deste imediatismo, negado às gerações anteriores, onde a tecnologia era vista como algo a ser idolatrada ou conquistada. No Brasil, por exemplo, a televisão tinha tal importância que ganhava até um cômodo para chamar de seu: o quarto de TV. Alguém já viu chamar a cozinha de "área do fogão" ou o banheiro de "quarto do chuveiro"?

Hoje há uma espécie de budismo tecnológico: ligue agora e seja feliz! O aparelho do ano passado não importa mais e do futuro ainda virá. Claro, tem consequências nefastas, como o lixo eletrônico e o consumerismo, o consumo irresponsável. Mas também algo de adolescência do bem, uma pegada mais do que a juventude tem de bom: a inquietude, a ousadia, a autoconfiança, o atrevimento, somadas aos fatores essenciais para o amadurecimento, como a busca pela autonomia, um engajamento para chamar de seu, uma vida dinâmica com seus pares e a sociedade. 

Para  aqueles que se parecem com os personagens Millenials do video, a tecnologia tem se mostrado importante ferramenta. Para as gerações anteriores, é preciso se adaptar, ou pedir ajuda aos universitários. Não se pode esquecer que, ainda assim, a tecnologia pode ser também tudo de ruim, dando continuidade ao fosso social que existe em muitos contextos. Mas é inegável que, bem educados, com oportunidades e condições sociais adequadas, os Millenials e as TIC podem fazer muito mais que as gerações anteriores. É uma visão otimista, mas, fazer o quê, vai ver convivo com Millenials demais em salas de aula.... 

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